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Esquina 26/11/2013

Posted by Sus-pensa in Escritos.
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“a culpa é minha. só minha. eu que te enxergo como mar, quando não passa de uma gota, quase evaporada, caída sobre a calçada. a culpa é toda minha. que te ouço como sonata, quando não passa apenas de uma nota, sozinha, tocada sem querer na limpeza do piano. eu que te engulo como banquete, quando você não sustenta mais do que uma migalha. que te guardo como tesouro, escondido e trancado, quando você não vale nada mais do que uma moeda. centavo esquecido no fundo da bolsa. eu que te coroo como rei, quando deveria te dar esmola. te sustentar com meus restos. eu que te vejo gigante, quando poderia te esmagar, em segundos, sob meu sapato. eu que sempre disse que me trouxe mudanças como um furacão, quando tudo não passou de um sopro. a culpa é minha. só minha. eu que teimo em achar que é único, quando o que mais me faz tropeçar por aí são coisas idênticas a você.”

_ Eduardo Baszczyn. (Adaptado)